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ADONIRAN BARBOSA

SUA VIDA

BARBOSA, ADONIRAN ‑ João Rubinato nasceu em Valinhos, SP, em 06 de julho de 1910, filho de imigrantes italianos de Veneza, que ali se radicaram. Ainda menino muda‑se para Jundiaí, SP, e começa a trabalhar nos vagões de carga da estrada de ferro, para ajudar a família. É entregador de marmitas, varredor etc.

Em 1924, com apenas quatorze anos, muda‑se para Santo André, SP. Lá é tecelão, pintor, encanador, serralheiro, mascate e garçom. No Liceu de Artes e Ofícios aprende a profissão de ajustador mecânico. O rapaz João Rubinato já compõe algumas músicas. Participa do programa de calouros na Rádio Cruzeiro do Sul e após muitos gongos, consegue passar com o samba FILOSOFIA, de Noel Rosa.

O ano é 1933 e ele ganha um contrato. Em 1935 passa a usar o nome artístico de Adoniran Barbosa. Paralelamente à carreira de cantor/compositor, é disc‑joquey, locutor, ator de programas humorísticos e de cinema, sendo sua estréia em 1945 no filme PIF‑PAF. Seu melhor desempenho acontece no filme O CANGACEIRO (53) na Vera Cruz.

Compõe inúmeras músicas de sucesso, quase sempre gravadas pelos Demônios da Garoa. Destacam‑se SAMBA DO ERNESTO, TREM DAS ONZE, SAUDOSA MALOCA etc. O reconhecimento, porém, vem somente em 1973, quando grava seu primeiro disco e passa a ser respeitado como grande compositor.

Vive com simplicidade e alegria. Nunca perde o bom humor e seu amor por São Paulo, em especial pelo bairro do Bixiga, que ele canta em muitas músicas suas. Morre em São Paulo, em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos de idade. (Fonte: “Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro”, de Antonio Leão da Silva Neto)

Adoniran Barbosa - Vida & História (TV Cultura)

Adoniran Barbosa - Programa Ensaio (1972) COMPLETO -TV CULTURA

MÚSICAS

Trem das Onze

Canção clássica que narra, em tom bem-humorado e melancólico, o drama de um homem que precisa partir porque é o último trem (“trem das onze”) para sua casa em Jaçanã. A letra conjuga amor, obrigações familiares e a rotina ferroviária, transformando o deslocamento cotidiano em símbolo de vínculo e pertencimento. Simbolicamente, o trem representa as rotinas da classe trabalhadora paulistana e a tensão entre vida afetiva e trabalho. Historicamente, remete ao cotidiano das linhas suburbanas e ao crescimento da cidade nas primeiras décadas do século XX, quando deslocamentos por trem eram rotina dos trabalhadores.

Viaduto Santa Efigênia

Canção que usa o viaduto e os arredores como cenário de encontros, desencontros e figuras populares. O tom é coloquial e carioca-paulistano, transformando o viaduto em palco de anedotas urbanas. Simbolicamente, o viaduto representa a arquitetura urbana que estrutura a vivência do centro e a circulação entre estratos sociais.

Praça da Sé

 Canção que toma a Praça da Sé como epicentro do centro histórico: espaço de encontro, comércio informal e observação social. A letra capta o fluxo humano e as contradições do coração da cidade. Simbolicamente, a Sé é metonímia do centro, onde se cruzam memória fundacional, circulação e exclusões urbanas.

Um Samba no Bexiga

“Um Samba no Bexiga” é uma canção emblemática de Adoniran Barbosa, lançada em 1962, que celebra um dos cenários mais importantes de sua obra: o bairro do Bexiga (ou Bela Vista), reduto de boêmios, imigrantes e sambistas paulistanos. A música funciona como uma verdadeira crônica musical da cidade de São Paulo, onde o samba nasce e se fortalece nos encontros entre amigos, nas calçadas e nos bares.

Samba do Ernesto

lançada em 1955 e eternizada pelo grupo Demônios da Garoa. Assim como em outras obras do artista, a música retrata com humor o cotidiano simples e os personagens da boemia paulistana — especialmente da região do Bixiga, onde Adoniran ambientava grande parte de suas histórias.

Iracema

Iracema, nome indígena e símbolo do romantismo brasileiro, ganha aqui um novo retrato — o de uma moça comum da cidade grande, atropelada na esquina da “São João com a Ipiranga”, o cruzamento mais famoso de São Paulo. Adoniran transforma o trágico em cotidiano, e o cotidiano em arte.

Uma Triste Margarida

“Triste Margarida” (também conhecida como “Uma Simples Margarida”) é uma das composições mais sensíveis de Adoniran Barbosa, lançada em 1956. Diferente do humor característico de grande parte de sua obra, aqui o compositor mergulha na melancolia e na ternura de uma personagem humilde, simbolizada pela margarida — uma flor simples, comum, mas cheia de dignidade poética.

Vou Pegar o Metrô

A musica de 1972 traz o olhar bem-humorado e crítico de Adoniran Barbosa diante da modernidade que transforma São Paulo.
O metrô, símbolo do progresso, contrasta com o jeito simples e desacelerado do povo.
Entre ironia e poesia, Adoniran mostra uma cidade que anda depressa demais para quem ainda gosta de conversar na esquina. NAO TEM CLIPE nao tem letra

Tiro ao Álvaro.

Lançado em 1973 é um samba divertido e afetuoso em que Adoniran Barbosa celebra o amor com humor e fala popular. 
Com trocadilhos e “erros” propositais, ele transforma a linguagem do povo em poesia.
Entre risos e malícia, Adoniran mostra que o amor acerta o coração — mesmo com a pontaria torta das palavras.

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